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On junho 30, 2026
Luana Menezes no espetáculo “Lia Lia”, com Camila Pitanga e Bete Coelho
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A proposta do espetáculo, que inclui a seleção de atrizes locais de cada cidade visitada para incorporar o coro cênico do elenco do espetáculo, premia o talento da atriz rioclarense, expandindo conhecimento e estreitando relações através desse intercâmbio artístico da artista. No caso de Rio Claro a seleção ocorre através de captação pelo Núcleo de Artes Cênicas (NAC) do SESI/SP, e Luana relata como foi o processo.
“Existem processos artísticos que terminam assim que acabam e, existem aqueles que continuam na gente por muito tempo depois. E para mim, o espetáculo Lia Lia é um desses encontros que nos convida a habitar e revisitar espaços suspensos entre o real e o sonho, entre aquilo que se vive e aquilo que é memória. Muitas vezes trazendo a sensação de nostalgia e em outras do incômodo que algumas lembranças causam.
O processo foi ainda mais especial, porque não fomos apenas intérpretes, construímos juntos o espaço que habitamos e organizamos juntos cada detalhe do universo de Lia Lia, espetáculo tão bem moldado pelos olhos da Cia Teatrofilme e que nos foi orientado por sua equipe de forma muito respeitosa.
(…)
Tive a honra de integrar o Coro, formado por oito atrizes que, juntas, davam corpo às vibrações desta peça, os pensamentos e sentimentos das personagens interpretadas por Bete Coelho e Camila Pitanga. E mais do que acompanhar a narrativa, éramos uma espécie de extensão viva das emoções delas, uma presença coletiva que respirava, vibrava e se transformava junto com a cena, se misturando ao teor de lembrança quase esquecida daquele texto bem marcado. Nesta presença conheci a obra sensível de Caetano Galindo e agora não consigo parar de ler. Aprendi muito ao observar toda equipe, vendo como cada peça sustenta o conjunto todo do trabalho cênico, desde a organização dos camarins e objetos, até cada ponto onde os fios são amarrados.“
Menezes ainda detalha o privilégio de colaborar com o processo e trabalhar ao lado de duas atrizes consagradas pelo público e mídia brasileiros, e explica um pouco mais sobre o compartilhamento dessa grande vivência com a equipe.
“O cenário com aparente fragilidade e suspensão, que na minha cabeça, a impressão que os fios e as fitas dão a cena, representa uma lembrança insistente, porém já submergida pelas águas do mar. Como um navio naufragado, onde tudo que é memória é coberto por um musgo acinzentado, uma fumaça densa. A chuva fina na cena, tudo pensado milimetricamente e no compasso, trazendo a mesma sensação que encontramos na história de Lia: uma beleza discreta, quase secreta, que surge nos instantes mais simples. Porém, de uma forma muito potente.
(…)
Trabalhar ao lado de Bete Coelho e sua companhia de teatro foi uma experiência esplêndida. Sua sensibilidade artística, rigor criativo e a capacidade de conduzir um processo coletivo tão complexo, mostrou muito da força de uma artista já renomada, mas que nunca deixa de contribuir para a renovação da cena brasileira. O modo como reconhece a individualidade de cada um que participa e, ajusta e readapta a cena à essa potência, faz com que cada espetáculo seja único. Da mesma forma que Camila Pitanga trouxe para o trabalho uma presença generosa, intensa e profundamente humana, inspirando todos ao seu redor com sua entrega e escuta, sempre de forma muito acessível.
É lindo de ver a disciplina exemplar que tem com seus instrumentos principais, o corpo e a voz. E também, o modo como conduziu o coletivo no pré-espetáculo, trazendo exercícios de respiração e consciência, moldando a energia do trabalho que viria a seguir e que nos trouxe concentração e familiaridade com todos os atores e equipe técnica. Foi uma honra poder participar das comemorações de seu aniversário, algo que me deixa muito feliz.
O jogo iniciou atrás das cortinas, no escuro, onde só quem estava realmente presente pôde sentir a conexão. Os fios que transpassaram a cena, eram os nossos fios de condução, guiados pela voz de Roberto Audio que ecoava forte, alinhando e unindo corpo e espírito, com orações lindas, de encher o coração. E quando olhava ao meu lado estava Laís Lacôrte, uma inspiração à parte e, que com simpatia nos recebeu com muita humildade e carinho. Não pude deixar de suspirar ao presenciar tanto talento junto. Inclusive, tive uma das melhores homenagens da minha vida no último espetáculo, quando Gabriel Fernandes, com imensa delicadeza, nos contemplou com um lindo poema. Nunca irei me esquecer deste momento.“
Por fim, Luana conclui sobre o espetáculo e a satisfação de fazer parte do processo artístico que certamente enriquece seu currículo e expande ainda mais seu horizonte:
“Minha gratidão se estende a toda equipe de produção da Cia Teatrofilme, cuja dedicação tornou possível a materialização dessa experiência tão singular e incrível. E, especialmente, às Lias do Coro, companheires de criação, ensaio e descoberta, que compartilharam não apenas as cenas, mas também os desafios, as dúvidas, os afetos e as alegrias de um processo artístico intenso. Tendo como comandante maior a Lindsay, nosso alívio cômico tão necessário na cena e no camarim. Atriz única, um exemplo de inteligência corporal e técnica e que nos conduziu desde o início do processo.
Para uma pessoa como eu, que fui uma criança artista, sem acesso à arte. E que um dia teve a oportunidade de conhecer o teatro através de um projeto social, em um lugar onde não existia essa possibilidade, até então. Bastou uma porta aberta, bastou ser vista. E Lia Lia é a estrada que guia muitas atrizes, que não tem acesso ao teatro profissional, ao sonho de um dia poder fazer parte, tornando real a nossa luta, nos permitindo crescer e ter sucesso. Sou grata demais pela oportunidade.
Foi difícil me despedir, mas sei que nos encontraremos novamente em breve. Por enquanto, levo comigo a beleza desse encontro. Talvez seja justamente isso, que faz com que Lia Lia continue existindo dentro de mim com força. Me fazendo sorrir a cada instante com o vislumbre dessas memórias.“
SOBRE “LIA LIA”
Lia Lia é uma adaptação do livro Lia: Cem vistas do Monte Fuji (Companhia das Letras, 2024), de Caetano W. Galindo, primeiro romance de ficção do autor, que já tem uma série de trabalhos com a Teatrofilme, como Molly — Bloom (2022) e Ana Lívia (2023). A proposta de Galindo, inspirada nas Cem vistas do Monte Fuji, série de gravuras do artista japonês Katsushika Hokusai, desafia convenções narrativas e explora a complexidade da identidade humana, fazendo com que as percepções sobre a personagem sejam construídas a partir de um quebra-cabeças emocional e sensorial.
Lia Lia, nova produção da Teatrofilme, é um álbum de retratos, coleção de fotos soltas numa caixa empoeirada. O que lhe dá sentido, e ordem, é apenas a pessoa que viveu. É assim que vamos conhecer Lia, que acompanhamos por toda uma vida feita à nossa frente em fragmentos, lascas, marcas e relances. Um quebra-cabeça cênico que se forma e se conecta quase aleatoriamente para revelar aos poucos a personagem interpretada pelas atrizes Bete Coelho e Camila Pitanga. Lia vai sendo construída e apresentada em momentos marcantes ou banais, em situações e lugares diversos, detalhando memórias, sensações e sentimentos, vivenciados principalmente por ela, mas não só. Lia vê o mundo e é vista por ele: a experiência é mútua e complementar. As pessoas que a veem e que com ela se relacionam ora narram, ora participam de sua vida, ajudam a traduzir por meio de Lia e na companhia dessa mulher aparentemente comum, a pura, simples e imensa complexidade de existir.
FICHA TÉCNICA EM RIO CLARO
Texto: Caetano W. Galindo
Adaptação: Bete Coelho
Direção: Bete Coelho e Gabriel Fernandes
Elenco: Bete Coelho, Camila Pitanga, Roberto Audio, Laís Lacôrte e Lindsay Castro Lima
Coro cênico: Agnes Nabiça, Daniela Nery, Daisy Oliveira, Georgia Ramos, Luana Menezes, Kov Dias e Wil Campos
Direção de arte: Daniela Thomas
Cenário: Daniela Thomas e Felipe Tassara
Figurino: Renata Correa
Desenho de luz: Beto Bruel
Direção musical: Felipe Antunes
Direção técnica, sonoplastia e desenho de som: Rodrigo Gava
Assistente de direção: Mariana Mantovani
Assistente de cenário: Alice Tassara
Produção de cenário: Mauro Amorim
Modelagem: Marcio Akiyoshi
Assistente de figurino: Alice Leão e Larissa Yumi
Costureiras: Essa Maluca e Eliene Marques
Preparação corporal: Renata Melo
Músicos: Fabio Sá e Chicão
Assistente e operadora de Luz: Patricia Savoy
Direção de palco: Tamires Santino
Design gráfico: Celso Longo e Daniel Trench
Assessoria de imprensa: Fernando Sant’ Ana
Design de mídia social: Letícia Genesini
Registro videográfico: Diego Avarte
Fotos: Luiza Ananias
Assessoria jurídica: Olivieri e Associados
Dramaturgia: Marcos Renaux
Transporte: Marcio Oliveira Santos – MOS
Produção executiva: Mariana Mantovani e Paloma Galasso
Direção de produção: Lindsay Castro Lima
Produção: Teatrofilme
Realização: SESI
Lia Lia
Peça de Teatro, com Bete Coelho, Camila Pitanga e elenco
Gênero: Trama existencial
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos
@teatrofilme